As camisetas do Clube 15 de Novembro, de Campo Bom

As camisetas que o 15 utilizou entre 1994 e 2008.

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Com ilustrações de Evaldo Júnior (www.erojkit.com).

O 15 é um dos grandes milagres da história do futebol gaúcho, algo que os americanos chamariam de Cinderela. Claro, poderia ter sido muito mais, mas o destino quis que o clube campobonense acabasse sendo o time do quase. O time foi fundado no aniversário da República, em 1911, no então Morro das Pulgas em São Leopoldo, hoje bairro Rio Branco do município de Campo Bom, como Sport Club 15 de Novembro. Seis anos depois, juntamente com a Sociedade Alemã de Tiro e com a Sociedade de Canto, formou um grande clube multidisciplinar chamado Sociedade Concórdia. Já nessa primeira fase, o 15 se estabeleceria como um respeitado e ativo time de futebol da região.

Em 1943, a Sociedade Concórdia decide por extinguir o departamento de futebol, que passa a ser representado por uma agremiação individual, chamada Esporte Clube Independente, com as cores preta e branca. Os garotos do futebol fizeram do limão uma limonada e, desatrelados da Sociedade, não tiveram amarras para desenvolver o esporte. Por pressão popular, o clube retoma as cores amarelo, verde e vermelho e passa a ser chamado de Esporte Clube 15 de Novembro, em 1949.

A partir daí, o 15 se tornaria uma potência, talvez a maior, do futebol amador gaúcho. Em 1957, o clube é campeão amador da Zona Sul. Três anos depois, conquistaria pela primeira vez o título estadual da chamada Série Branca, o que repetiria por mais quatro vezes até 1966. Com o sucesso, passou a disputar a Série Especial do Amador, da qual já seria campeão em 1968. Até 1973, o 15 só não seria campeão em 1969. Em 1975, decide-se por uma nova fusão com a Sociedade Concórdia, que cria o Clube 15 de Novembro, denominação pela qual o tricolor de Campo Bom é reconhecido até hoje.

Ao todo, o 15 foi nove vezes campeão da principal categoria do futebol amador do Estado. Em 1988, foi também o primeiro clube gaúcho a conquistar o título de campeão sul-brasileiro de futebol amador. No começo da década de 1990, antevendo a derrocada do amadorismo e com alguma pressão da Federação, o clube profissionaliza o departamento de futebol. O 15 estreou como profissional na Segundona Gaúcha de 1994 e, logo em seu primeiro ano, foi vice-campeão, o que lhe valeu o acesso para a chamada Série B. A primeira camiseta do clube como profissional era produzida pela Malharia Eudajo, de Novo Hamburgo, empresa com quem o clube tinha longa parceria no período amador. O modelo é inspirado nas camisetas do Fluminense do Rio fabricadas pela Penalty no mesmo período.

1994 15 (amarela)
1994 (titular)

Na Série B, o 15 fazia campanhas razoáveis, quase sempre progredindo às fases seguintes, com destaque para a temporada de 1997, em que o clube foi o melhor da fase inicial, mas acabou não mantendo o nível posteriormente. Em 1998, com o vice-campeonato da Copa Abílio dos Reis, o 15 chegou, pela primeira vez, à elite do futebol gaúcho. No ano seguinte, em sua estreia na primeira divisão, o time não faz boa campanha e é “rebaixado”. Por aquelas atrocidades típicas das federações de futebol, especialmente nos anos 1990, no entanto, o 15 é vice-campeão do Acesso ainda em 1999, sendo assim “repromovido” imediatamente. Em 2000, o 15 chega ao octogonal final do Gauchão e começa a se firmar como uma das forças do futebol do interior. No ano seguinte faz uma campanha razoável, sem brilho porém também sem risco. Em 1995 e 1996, o 15 usa material esportivo produzido em São Paulo, da marca Deer. É curioso, nesse período inicial do clube como profissional, que raramente foi necessário o uso de uma camiseta alternativa à amarela. Por isso, quando preciso, foram reaproveitadas camisetas verdes do período amador. A partir de 1997, o 15 passa a vestir Diadora, o que se manteria até 2001, com algumas pequenas modificações no desenho das camisetas em 1999 (do modelo usado entre 1999 e 2001, me faltaram referências sobre a camiseta verde e, por isso, preferimos não a reproduzir). Na verdade, a camiseta de 1999 era um “híbrido” entre a camiseta antecessora e a sucessora, com a gola, o corte e o tecido da camiseta de 2000, porém com o patrocínio sem a palavra “adesivos”.

1995 15 (amarela)
1995-1996 (titular)
1999-2001 15 (amarela)
1999-2001 (titular)

A partir de 2002, o 15 inicia as melhores temporadas de sua história. Pode-se dizer, inclusive, considerando-se o momento que o Grêmio passa a viver, possivelmente o pior de sua existência, que o time de Campo Bom, mesmo que por três ou quatro anos, foi a segunda força do futebol do estado. No Gauchão de 2002, o 15 se classificou com a segunda melhor campanha da primeira fase, disputada sem a dupla Grenal, sem o Juventude e sem o Pelotas (que disputavam a Copa Sul-Minas). A fase seguinte, chamada de semifinal, era dividida em dois quadrangulares em turno único e o 15 ficou no grupo de Grêmio, Pelotas e Guarani de Venâncio Aires. Logo na primeira rodada, em Campo Bom, o Grêmio foi surpreendido com uma derrota por 4 a 2. Na rodada seguinte, com o empate entre Grêmio e Pelotas, o 15 garantiu a classificação antecipada ao vencer o Guarani por 2 a 1. Nas finais, entretanto, o tricolor campobonense foi presa fácil para o Internacional e perderia os dois jogos, por 3 a 2, em Campo Bom, e por 2 a 0, no Beira-Rio. Em 2003, o 15 foi o melhor time da primeira fase. Depois, eliminou o Juventude com dois empates nas semifinais. Na final, enfrentou novamente o Inter e, assim como no ano anterior, perdeu os dois jogos (2 a 0, em Campo Bom; e 1 a 0, no Beira-Rio). No ano seguinte, o clube não fez má campanha, mas não obteve a classificação para as finais. No entanto, teve uma campanha surpreendente na Copa do Brasil de 2004, comandado por Mano Menzes. Eliminando Portuguesa Santista, Vasco, Americano e Palmas, o 15 chegou às semifinais enfrentando o Santo André. No primeiro jogo, disputado no Pacaembu (corrigido no dia 10/11/2019, via comentários), o time de Campo Bom venceu por 4 a 3. No jogo da volta, disputado no Olímpico, o 15 ainda ampliou a vantagem abrindo o marcador, mas sofreu uma surpreendente virada por 3 a 1 que o eliminou da competição. Mas, talvez, tenha sido no Gauchão de 2005 a melhor campanha da história do 15. A primeira fase era dividida em três hexagonais disputados em dois turnos. O tricolor campobonense sobrou de tal maneira que, em dez rodadas, abriu 13 pontos do Juventude, segundo colocado. Na segunda fase, dois quadrangulares semifinais, terminou invicto, a frente de Grêmio, Caxias e Brasil de Pelotas. Pela terceira vez em quatro anos o 15 chegava às finais do Gauchão e, novamente, enfrentaria o Inter. Dessa vez, no entanto, venderia bem mais caro a derrota. No primeiro jogo, disputado no Beira-Rio, vitória do Inter, por 2 a 0. No jogo da volta, o 15 devolveu o placar no tempo normal, o que levou o jogo para uma prorrogação, na qual jogava pelo empate para ficar com o título. O Inter saiu na frente, o 15 buscou o empate, mas logo depois levou o segundo gol. Com isso, mais uma vez o time ficava com o vice-campeonato. Durante esse período, o 15 utilizou material esportivo produzido pela Nike, com uma discreta modificação dos modelos em 2004.

A partir de 2006, já usando material esportivo da Umbro, o 15 não consegue mais repetir as gloriosas atuações anteriores. Os maus resultados culminam com o rebaixamento do clube após o Gauchão de 2008, quando faz apenas quatro pontos em 14 rodadas. Enfraquecido, o clube decide por fechar o departamento de futebol, não disputando a divisão de acesso em 2009. Na década seguinte, o 15 tenta um retorno, que será contado em uma postagem subsequente.

Para escrever essa postagem, contei com a inestimável ajuda do amigo quinzista Jones Ramme. Me resta uma dúvida sobre algo que conversamos. O Jones sempre afirmou que por duas vezes nessa fase o 15 teria usado material esportivo produzido pela ASA, de Ivoti. A primeira delas teria sido entre o último ano da Diadora e o primeiro da Nike, sendo as camisetas cópias dos modelos precedentes da Diadora. Depois, teria ocorrido o mesmo entre a Nike e a Umbro, com camisetas semelhantes às anteriores da Nike. Eu não encontrei nenhuma foto que mostrasse o 15 utilizando esses modelos em jogo. O que eu acho possível que tenha acontecido é que o clube não conseguisse camisetas o suficiente da Diadora e da Nike para os torcedores, naquele que, possivelmente, foi o auge das vendas, e, por isso, mandou confeccionar réplicas na ASA. Isso ocorreu com alguma frequência no futebol gaúcho e, para mim, é a explicação mais viável para os modelos da ASA desse período.

Da coleção do próprio Jones, os clones da Diadora e da Nike fabricados pela ASA.

Em 2013, depois de um hiato de cinco anos, o 15 retorna ao futebol profissional, com um projeto diferente. Com menos dinheiro, a ideia era promover os atletas da base e fazer algumas poucas contratações pontuais para dar um pouco de experiência à equipe. Inicialmente, tanto a imprensa quanto a comunidade local ficaram comovidas com o retorno de pequeno gigante, mas logo, com os maus resultados, acabaram abandonando o clube.

Na Segundona, ainda em 2013, o 15 fez a segunda pior campanha geral. Apesar disso, fez um segundo turno razoável que acabou o colocando nas quartas-de-final da fase, na qual foi eliminado pelo novato Marau com duas derrotas, incluindo uma acachapante 7 a 1. A campanha na Copa Metropolitana não foi muito diferente, sendo o 15 eliminado na semifinal do segundo turno pelo Novo Hamburgo.

No primeiro ano de retorno, o 15 usou camisetas com uma marca própria, chamada 15 Sports, que, acredito, tenham sido produzidas pela ASA Sports, de Ivoti. Diferentemente do que acontecia na fase áurea do clube, que tinha um patrocinador forte, agora o 15 tinha diversos pequenos patrocínios. Além dos tradicionais amarelo e verde, em 2013 o 15 usou, também, outras duas cores de camisetas, no mesmo padrão: uma branca e uma vermelha.

No ano seguinte, o clube fez um bom primeiro turno na Segundona, sendo eliminado nas semifinais pelo São Gabriel, na decisão por pênaltis. No segundo turno, no entanto, fez péssima campanha e foi eliminado sem disputar a fase de mata-mata. Já na Copa Metropolitana, fez um campeonato horrível, somando apenas um ponto em 12 partidas. Os resultados acabaram por definir o fechamento do departamento de futebol profissional do clube mais uma vez, o que se mantem até agora.

O 15 foi um dos muitos clubes a assinarem contrato com a WBA Sports em 2014. A empresa, sediada em Porto Alegre, nada mais é do que uma loja que representa diversas grandes marcas, como Nike, Adidas e Reebok, e que, na época, prestava serviços de assessoria esportiva. Para o fornecimento do material esportivo, a empresa selecionava modelos padronizados de alguma das marcas e aplicava distintivo e patrocinadores de cada um dos clubes associados. Pelo uso dos modelos padronizados, grande parte das camisetas da época foram criticadas por nem sempre usarem cores adequadas ou por terem qualidade inferior, especialmente nas aplicações.

No caso do 15, inicialmente foi difícil de se conseguirem modelos em verde e amarelo. A solução encontrada foi homenagear o (curto) período em que o 15 se chamou Independente e usar uma camiseta branca e preta. A camiseta verde, por outro lado, não tem nem de perto a tonalidade verdadeira do 15. Já a amarela, talvez por má qualidade, como sugere o Jones Ramme, teve o logo da Adidas coberto e, no segundo semestre, foi substituído por um modelo da ASA.

2014 C 15 de Novembro (branca)
2014/1 (reserva)

Como sempre, em assuntos relacionados ao 15, muito me ajudou o amigo Jones Ramme.

Outra fonte muito interessante para assuntos quinzistas é o completíssimo blog de Raul Blos, no ar há bastante tempo.

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