As camisetas do Esporte Clube Encantado, de Encantado

As camisetas que foram utilizadas pelo Encantado até 1979.

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Com ilustrações de Evaldo Júnior (www.erojkit.com)

Joga-se futebol na localidade de Encantado desde os anos 1910, mas o primeiro time local um pouco mais bem sucedido, o Encantado Futebol Clube, deixou de existir na década de 1930. Alguns anos mais tarde, em 21 de abril de 1942, é fundado, então, o Esporte Clube Encantado, que não tardou em conquistar títulos ao ser campeão da Taça Ramenzoni, disputada entre clubes do Vale do Taquari, ainda no mesmo ano. Em 1950, o Encantado recebe a doação das terras nas quais seria construído o Estádio das Cabriúvas e que colocaria o clube noutro patamar. Ao longo da década de 1950, o Encantado faz algumas boas campanhas, como a conquista da Zona Leste do Estadual de Amadores, em 1954, que levaram os dirigentes a optarem pela profissionalização.

A primeira participação do Encantado entre os profissionais ocorre em 1958, jogando na Zona Planalto da segunda divisão gaúcha. Na primeira metade da década de 1960, o clube não obtém bons resultados no segundo nível do futebol gaúcho sendo, quase invariavelmente, uma das equipes com pior desempenho nos campeonatos. Nessa fase, o Encantado usa camisetas com gola polo. Os distintivos são diferentes entre os dois modelos, provavelmente porque as camisetas brancas ainda eram as mesmas utilizadas na década anterior.

Em 1967, é criada a Primeira Divisão de Profissionais, que era o terceiro nível do futebol profissional gaúcho, que passa a ser integrada pelo Encantado, agora com resultados um pouco mais satisfatórios. No mesmo ano, o clube passa a usar camisetas com gola V e um distintivo diferente, de formato elíptico. Curiosamente, no centro do distintivo, foi colocada erroneamente o ano de fundação do clube como 1941. Esses modelos de camisetas foram utilizados até 1970.

A década de 1970 se inicia com o Encantado sendo notícia nacional com a posse de uma diretoria integralmente formada por mulheres, encabeçada pela Sra. Jurema Bagatini, que assumiu como presidente do clube em 1971. Em 1971 e 1972, o clube tem resultados discretos jogando a segunda divisão e a Copa do Governador. Nesse período, usa camisetas com gola V sem distintivos.

A partir de 1973, o Encantado vive os melhores anos de sua história. No começo daquele ano, são usadas camisetas com um distintivo circular, que são trocadas ao longo da temporada pelas que seriam utilizadas até 1976. Na mesma época, as camisetas brancas também são trocadas, mas continuam sem distintivos. Na Copa do Governador de 1973, que levava os oito primeiros colocados ao Gauchão do ano seguinte, o clube encantadense fez grande campanha, ficando em quarto entre 35 equipes. Com isso, em 1974, o Encantado fez sua estreia na elite do futebol gaúcho. O campeonato tinha uma fase inicial com 14 clubes, sendo que os oito primeiro colocados avançavam a um decagonal no qual encontrariam a dupla Grenal. O Encantado obteve a classificação com a terceira melhor campanha. Na fase seguinte, a estreia do clube se deu contra o Grêmio, no Estádio Olímpico. Supreendentemente, ao final do primeiro tempo, o clube vermelho vencia pelo placar de 3 a 0, mas acabou cedendo o empate ao time da capital. Ironicamente, aquele seria um dos únicos dois pontos obtido pelo Encantado, que terminaria sua participação com a pior campanha do decagonal, sem nenhuma vitória.

1973 EC Encantado (vermelho)
1973/1 (titular)

Em 1975, num campeonato bem mais inchado e com formato diferente, o Encantado não teve boa participação e ficou pelo caminho ainda na primeira fase. Por outro lado, teve uma brilhante participação na Copa Cícero Soares. Na final, enfrentou o Brasil de Pelotas em dois jogos. No primeiro, em Encantado, venceu por 2 a 0, com Ênio Fontana, o maior artilheiro da história do clube, marcando duas vezes. No jogo da volta, em Pelotas, o Brasil devolveu o placar, levando o jogo para a prorrogação. No tempo extra, Zezinho marcou o gol que daria ao Encantado o grande título de sua história.

Depois, entre 1977 e 1978, o Encantado se afastaria dos gramados profissionais, mas retornaria em 1979 para fazer uma campanha razoável na Divisão de Acesso. No segundo semestre daquele ano disputa e vence a recém criada Copa do Vale do Taquari, contra clubes da região. Naquele ano, o Encantado incorpora ao distintivo um leão, referente à alcunha de Leão do Vale, adquirida nas décadas anteriores. Àquela temporada, seguiu-se quase uma década de licenciamento.

Desde 1979, o Encantado contava apenas com categorias de base. Em 1985, no aniversário de 75 anos de emancipação do município, uma seleção municipal foi montada para movimentar o Estádio das Cabriúvas. A seleção desafiou e venceu Laejadense e Estrela, o que despertou novamente os encantadenses para o futebol. Dois anos depois, com um time formado apenas por jogadores locais, o Encantado retorna ao futebol profissional para a disputa da Segundona de 1987. A campanha na reestreia não foi das melhores e essa foi a última temporada em que o clube usou o distintivo com o leão.

Em 1988, o Encantado começou muito bem a Segundona, vencendo, na primeira fase, um grupo com Novo Hamburgo, Estrela, Avenida, Igrejinha e São José de Porto Alegre, com apenas uma derrota em dez jogos. Na segunda fase, no entanto, o time desandou e acabou conquistando apenas mais uma vitória nas próximas dez partidas, ficando em último e sendo eliminado da competição. As camisetas, com o tradicional patrocínio do Sabão Fontana e com o distintivo oficial, seriam utilizadas até a temporada de 1990.

Apesar da campanha ruim na segunda fase, o campeonato de 1988 seria o último a dar um pouco de esperança ao público encantadense. Nos anos seguintes, sempre disputando o segundo nível do futebol gaúcho, o Encantado teve participações muito ruins, até seu licenciamento em 1994. Em 1991, o patrocinador principal do clube foi o Moinho Brasil, que foi substituído pela Pettirossi entre os anos de 1992 e 1993. Também é provável que durante a temporada de 1991 o Encantado tenha usado camisetas iguais às de 1990, porém com o patrocínio Herr’s. No último ano do clube como profissional, o patrocinador principal foi a Dália, grande companhia de alimentos originária da cidade.

A História das Camisetas do Encantado contou com o inestimável auxílio do colega Marcos César Cadore. Agradeço também ao amigo José Luiz Tavares Maciel que me forneceu gentilmente uma cópia do livro Dentro e fora das quatro linhas, de Airto Francisco Gomes, usado como referência especialmente pela grande quantidade de fotos do Esporte Clube Encantado. Outra referência sempre muito boa é o blog Times do RS.

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